Governo e setor produtivo intensificam negociações com o bloco europeu após decisão que restringe entrada de carnes brasileiras por questões ligadas ao uso de antimicrobianos na pecuária
O governo brasileiro e representantes do setor pecuário trabalham para reverter a decisão da União Europeia de suspender a importação de diversos produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro deste ano. A medida afeta carnes bovina, de frango, peixe e cavalo, além de tripas e mel.
A restrição foi oficializada na sexta-feira (5) e tem como base o entendimento de que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que atende às exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Essas substâncias são utilizadas para prevenir e tratar infecções e, em alguns casos, para estimular o crescimento dos animais.
Em 2025, as exportações brasileiras de carnes para a União Europeia somaram cerca de US$ 1,8 bilhão. O bloco é atualmente o quarto principal destino da carne bovina brasileira e o oitavo maior mercado para a carne de frango produzida no país.
Segundo regulamento publicado no Diário Oficial da União Europeia, a Comissão Europeia informou não ter recebido informações que comprovem a adoção das medidas necessárias para garantir o cumprimento das exigências sanitárias até 3 de setembro de 2026, data prevista para a entrada em vigor da restrição.
Diante do impacto econômico da medida, o governo brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática para tentar reverter, ao menos parcialmente, a decisão. Técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e representantes do setor privado buscam demonstrar aos europeus que os produtos brasileiros atendem aos padrões de qualidade e segurança exigidos pelo bloco.
Na última quinta-feira (4), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutiu o tema com o comissário de Comércio da União Europeia. O Itamaraty também intensificou as negociações para evitar prejuízos ao comércio entre as duas partes.
Entidades do setor afirmam que o sistema sanitário brasileiro é confiável e segue padrões rigorosos de fiscalização. Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) declarou que as medidas necessárias para atender às demandas europeias já foram adotadas.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que não existe problema sanitário com a carne brasileira e que o setor está disposto a ampliar os mecanismos de controle para preservar o mercado europeu.
Segundo ele, as exportações de carne de aves e carne bovina para a Europa movimentam mais de US$ 1 bilhão por ano, tornando o bloco um dos mercados mais importantes para os produtores brasileiros. A expectativa é que o diálogo entre as partes permita a revisão da medida antes da data prevista para sua implementação.
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