Abalos ocorreram em curto intervalo de tempo e podem ter sido provocados pela ruptura de falhas tectônicas conectadas, segundo cientistas
Os dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) chamaram a atenção de especialistas pela rapidez com que ocorreram. Segundo Mark Allen, professor de Ciências da Terra da Universidade de Durham, no Reino Unido, a sequência de abalos é considerada incomum devido à magnitude dos eventos e ao curto intervalo entre eles.
De acordo com o pesquisador, o primeiro terremoto pode ter provocado uma redistribuição de tensões geológicas na região, desencadeando o segundo tremor pouco tempo depois.
“É provável que o primeiro terremoto tenha rompido um segmento de falha e transferido tensão para outra falha que, por sua vez, rompeu-se, provocando o segundo terremoto”, explicou Allen ao Science Media Center.
Os terremotos ocorreram na região de contato entre as placas tectônicas da América do Sul e do Caribe. Segundo o especialista, essas placas se deslocam lateralmente uma em relação à outra, em um comportamento semelhante ao observado na Falha de San Andreas, na Califórnia, uma das áreas sísmicas mais conhecidas do mundo.
Allen alertou ainda para a possibilidade de novas réplicas nos próximos dias, especialmente na região de Caracas. Segundo ele, a capital venezuelana está localizada em uma zona historicamente suscetível à atividade sísmica, e as falhas geológicas locais podem ter acumulado ainda mais tensão após os tremores registrados.
Enquanto as autoridades seguem monitorando a situação, o balanço da tragédia continua aumentando. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou que pelo menos 164 pessoas morreram e outras 971 ficaram feridas em consequência dos terremotos, considerados os mais devastadores a atingir o país em mais de um século.
Somente em Caracas, ao menos 25 mortes foram confirmadas, segundo a prefeita Carmen Meléndez. Equipes de resgate permanecem mobilizadas e seguem realizando buscas entre os escombros de edifícios e residências atingidos, na esperança de localizar sobreviventes.
As autoridades venezuelanas mantêm o alerta para possíveis réplicas e orientam a população a seguir as recomendações dos órgãos de proteção civil enquanto os trabalhos de resgate e assistência às vítimas continuam.
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Imagem em destaque: DMC