Com mais de 1.400 mortos, sistema de saúde enfrenta superlotação e famílias precisam transportar vítimas por conta própria diante da falta de estrutura
A crise humanitária provocada pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela se agrava a cada dia. Neste sábado (27), famílias passaram a levar os corpos de vítimas em caminhonetes para o necrotério de Caracas devido à superlotação dos hospitais e à falta de serviços funerários.
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na última quarta-feira (24), já deixaram 1.430 mortos, mais de 3.000 feridos e cerca de 3.100 desabrigados, segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano.
Do lado de fora do principal necrotério de Caracas, caminhonetes carregadas com corpos envoltos em sacos brancos e lençóis formavam uma cena que evidencia a dimensão da tragédia. Em apenas uma hora, ao menos três veículos chegaram transportando vítimas para o Serviço Nacional de Medicina Legal.
A moradora Yessica Mendoza contou que precisou levar o corpo da filha até o necrotério durante a madrugada, utilizando um veículo apropriado por falta de atendimento funerário. Segundo ela, a decisão foi tomada porque, no Hospital Catia La Mar, em La Guaira, “os mortos estavam no chão”, devido à falta de espaço para acomodar os corpos.
Um funcionário do necrotério, que preferiu não se identificar, informou que pelo menos 200 corpos deram entrada na unidade desde a última sexta-feira (26), refletindo o colapso enfrentado pelo sistema de saúde do país.
O corpo da filha de Yessica foi localizado na sexta-feira (26), enquanto o do genro havia sido encontrado um dia antes. As equipes de resgate continuam trabalhando na busca por desaparecidos em áreas devastadas pelos tremores, enquanto milhares de pessoas permanecem desalojadas e dependem de ajuda humanitária.
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Imagem em destaque: Maxwell Briceno