Governo brasileiro afirma que visita teria caráter político e cita contexto eleitoral para justificar decisão
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou neste sábado (25) que o governo brasileiro negou a concessão de vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A decisão envolve o subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.
Segundo o governo brasileiro, os dois representantes norte-americanos pretendiam visitar o país para se reunir com autoridades eleitorais e discutir temas relacionados à liberdade de expressão durante o processo eleitoral das eleições de outubro.
De acordo com o Itamaraty, o pedido de visto foi analisado no contexto de um evento realizado recentemente em Brasília, no qual políticos brasileiros se encontraram com diplomatas estrangeiros e levantaram questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas. O governo avaliou que a visita poderia representar uma instrumentalização política do tema em pleno período eleitoral e, por isso, decidiu negar a entrada dos representantes.
O debate sobre as urnas eletrônicas voltou ao centro das discussões após o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmar, sem apresentar provas, que os equipamentos utilizados nas eleições brasileiras seriam da empresa venezuelana Smartmatic.
Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a informação é falsa. Segundo a Corte, a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras.
O tribunal informou ainda que as urnas eletrônicas são desenvolvidas por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral e produzidas por empresas contratadas por meio de licitações públicas, sob coordenação direta do TSE, seguindo critérios de segurança, transparência e fiscalização do processo eleitoral.