Fenômeno climático pode provocar secas, enchentes e quebra de safras, aumentando os preços dos alimentos e agravando a insegurança alimentar em países vulneráveis
Um relatório do Programa Mundial de Alimentos (PMA), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), alerta que um episódio de El Niño de forte intensidade pode levar quase 49 milhões de pessoas a mais para uma situação de insegurança alimentar aguda até o final de 2027.
O fenômeno climático ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, provocando mudanças significativas nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Essas alterações podem afetar diretamente a produção agrícola e a disponibilidade de alimentos.
Entre os principais impactos estão as secas prolongadas, que prejudicam plantações e reduzem a produtividade de importantes áreas agrícolas. Em outras regiões, o El Niño pode provocar chuvas intensas, temporais e enchentes, capazes de destruir lavouras, estradas e outras estruturas utilizadas para a produção e o transporte de alimentos.
A redução das colheitas também pode provocar aumento nos preços dos produtos básicos. Com uma menor oferta de alimentos no mercado, famílias de baixa renda ficam ainda mais vulneráveis e podem enfrentar dificuldades para manter uma alimentação adequada.
América Central está entre as regiões mais vulneráveis
Segundo o alerta, os efeitos do El Niño podem ser especialmente graves em países em desenvolvimento e comunidades que já enfrentam dificuldades econômicas e sociais.
Na América Central e no Caribe, a previsão aponta para um aumento expressivo dos casos de fome aguda. Na sub-região centro-americana, a elevação pode superar 80%, caso o fenômeno alcance forte intensidade.
Na África Austral, as principais preocupações estão relacionadas às secas prolongadas e ao risco de perdas significativas nas colheitas. A redução da produção agrícola pode agravar problemas de abastecimento e aumentar a dependência de ajuda humanitária.
Também há preocupação com os impactos sobre áreas da América do Sul, do Sudeste Asiático e da Oceania, onde mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem pressionar a produção e o abastecimento de alimentos.
O alerta reforça a importância de medidas antecipadas para proteger agricultores, estoques de alimentos e populações vulneráveis. Para organismos internacionais, a preparação e a resposta rápida aos eventos climáticos extremos podem ajudar a reduzir os impactos sobre a segurança alimentar mundial.
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Imagem em destaque: AFP Photo