Bolsa brasileira registra maior queda desde março, enquanto investidores acompanham cenário eleitoral, juros, tarifaço dos EUA e tensão no Oriente Médio
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou esta terça-feira (11) em forte queda de 2,50%, aos 167.875 pontos. Foi o pior desempenho do índice desde 12 de março, quando a bolsa havia recuado 2,55%.
O dólar também avançou. A moeda norte-americana encerrou o pregão em alta de 0,98%, cotada a R$ 5,1606.
O movimento negativo foi influenciado principalmente pelas incertezas no cenário político e econômico brasileiro. Entre os fatores acompanhados pelos investidores estão as eleições, a trajetória dos juros e as perspectivas para a economia nos próximos meses.
Um relatório do banco JPMorgan contribuiu para aumentar a cautela. A instituição reduziu sua recomendação para a Bolsa brasileira, movimento que ajudou a afastar investidores estrangeiros dos ativos nacionais.
Inflação desacelera em julho
No cenário doméstico, o mercado também acompanhou a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A inflação oficial do país subiu 0,07% em julho, abaixo da alta de 0,16% registrada em junho.
Com o resultado, a inflação voltou a ficar dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, embora ainda permaneça acima do centro da meta, estabelecido em 3%.
Ata do Copom reforça atenção aos preços do petróleo
Também nesta terça-feira foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
No documento, o Banco Central afirmou que poderá reagir “com firmeza” caso a forte volatilidade dos preços do petróleo provoque impactos sobre a inflação brasileira.
Na semana passada, o Copom reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14% ao ano.
Tarifaço dos Estados Unidos também está no radar
Outro assunto acompanhado pelos investidores foi a política tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Nesta terça-feira, a ApexBrasil anunciou um plano para ampliar a presença de produtos nacionais em novos mercados. A estratégia prevê maior diversificação das exportações e atenção especial aos setores afetados pelas tarifas.
Canadá, Alemanha e China estão entre os mercados considerados prioritários pela agência.
Tensão no Oriente Médio aumenta cautela
No exterior, a situação envolvendo o Oriente Médio continuou pressionando os mercados financeiros.
As incertezas relacionadas à reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo, mantiveram os investidores mais cautelosos.
Na segunda-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou as exigências apresentadas pelo Irã para o encerramento do conflito e afirmou que também cobraria uma indenização do país.
A combinação entre as tensões geopolíticas, a volatilidade do petróleo e as incertezas econômicas contribuiu para aumentar a aversão ao risco nos mercados nesta terça-feira.
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Imagem em destaque: REUTERS/Amanda Perobelli)