Instituição investigada por suposta ligação com o Banco Master teve bens de controladores e ex-administradores bloqueados por determinação da autoridade monetária
O Banco Central (BC) decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada em São Paulo. A instituição é investigada por suposta participação em operações relacionadas ao Banco Master e foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo as investigações, o proprietário da Sefer, Benjamin Botelho de Almeida, é suspeito de atuar como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central no esquema investigado. A apuração indica que a distribuidora teria desempenhado papel relevante em operações envolvendo compra e venda de títulos considerados de alto risco, conhecidos como “títulos podres”.
Em nota, o Banco Central informou que a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, além de graves violações às normas que regulam o funcionamento das distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
A autoridade monetária destacou que a Sefer possui baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, respondendo por menos de 0,0004% do total de ativos do sistema e administrando cerca de 0,17% dos recursos de terceiros.
Como parte das medidas, o BC determinou a indisponibilidade dos bens de Benjamin Botelho de Almeida e de outros 12 administradores e ex-administradores da instituição. Também tiveram os bens bloqueados quatro empresas apontadas como controladoras da distribuidora: Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., Seferpar Participações e Investimentos S.A., Brazilpar Investments LLC e Lyon Investments LLC.
O Banco Central informou ainda que continuará apurando responsabilidades no âmbito de suas competências legais. De acordo com o órgão, as investigações poderão resultar na aplicação de sanções administrativas e no encaminhamento de informações às autoridades competentes para adoção das medidas cabíveis.
Para conduzir o processo de liquidação, foi nomeado como liquidante Edison Benedito Alexandre, auditor aposentado do Banco Central com experiência em processos semelhantes, incluindo a liquidação da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB).
A liquidação extrajudicial é um procedimento previsto na legislação para instituições financeiras que apresentam graves problemas de solvência ou descumprem normas regulatórias, permitindo a administração ordenada dos ativos e passivos sem necessidade de intervenção judicial.
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Imagem em destaque: REUTERS/Adriano Machado