Medida impede novas ações militares sem autorização do Congresso e expõe preocupação crescente de democratas e republicanos com o conflito no Oriente Médio
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (2) uma resolução que busca limitar os poderes do presidente Donald Trump em relação ao conflito com o Irã. O texto recebeu 215 votos favoráveis e 208 contrários, contando com o apoio de quatro parlamentares republicanos que se uniram aos democratas.
A proposta determina que o presidente não possa realizar novos ataques contra o Irã sem autorização prévia do Congresso. Apesar da aprovação na Câmara, a medida ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor e não depende de sanção presidencial.
A votação reflete a crescente preocupação entre parlamentares norte-americanos com o prolongamento da guerra no Oriente Médio. No mês passado, o Senado já havia aprovado uma iniciativa semelhante para obrigar o governo a encerrar operações militares na região. No entanto, o texto não avançou para uma votação final e permanece parado no Congresso.
Desta vez, os democratas utilizaram uma manobra regimental que obriga a análise da proposta em um prazo de até duas semanas e meia. Mesmo assim, o cenário segue desafiador, já que os republicanos possuem maioria no Senado. Para que a resolução seja aprovada, será necessário que parte da bancada republicana repita o movimento de apoio registrado anteriormente.
Caso uma das medidas seja aprovada em definitivo pelo Congresso, a expectativa é de que o governo Trump tente derrubá-la na Justiça. A Casa Branca argumenta que qualquer tentativa de restringir a autoridade do presidente para conduzir operações militares viola a Constituição dos Estados Unidos.
Apesar do apoio majoritário do Partido Republicano ao presidente, cresce dentro da legenda a preocupação com os efeitos políticos do conflito. A guerra tem enfrentado resistência da opinião pública e contribuído para a alta dos preços dos combustíveis no país.
Lideranças republicanas temem que a insatisfação popular com a ofensiva militar possa influenciar as eleições de novembro, quando serão renovadas quase todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte das vagas do Senado.
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Imagem em destaque: Reuters