Protestos contra o governo se intensificam, afetam hospitais, elevam preços e agravam cenário social no país
A Bolívia enfrenta uma das maiores crises sociais dos últimos anos. Uma onda de protestos e bloqueios de estradas tem causado desabastecimento, dificuldades no atendimento médico e aumento da tensão política em diversas regiões do país.
As manifestações começaram com greves de trabalhadores e ganharam força com a adesão de sindicatos, mineiros, transportadores, grupos rurais e apoiadores do ex-presidente Evo Morales. Os manifestantes reivindicam medidas para conter o aumento do custo de vida, reverter políticas de austeridade e enfrentar a crise econômica que atinge o país.
Com dezenas de estradas bloqueadas, caminhões deixaram de transportar alimentos, combustíveis, medicamentos e oxigênio para importantes centros urbanos, como La Paz e El Alto. O impacto já é sentido pela população, que enfrenta filas, aumento nos preços e escassez de produtos básicos.
A situação também afeta diretamente a área da saúde. Hospitais relatam dificuldades para manter estoques de insumos essenciais. Em La Paz, o Hospital Infantil chegou a operar com reservas limitadas de oxigênio para dezenas de crianças internadas, aumentando o alerta das autoridades sanitárias.
Os bloqueios ainda tiveram consequências fatais. Relatos apontam que pessoas morreram após não conseguirem chegar a hospitais devido às interrupções nas rodovias, evidenciando o impacto humanitário da crise.
Diante do agravamento da situação, o presidente Rodrigo Paz anunciou a redução de 50% do próprio salário e dos salários dos ministros como medida simbólica para enfrentar o momento econômico. O governo também apresentou ao Congresso uma proposta que permite operações conjuntas entre a polícia e as Forças Armadas para desbloquear estradas e restabelecer a circulação de suprimentos.
Apesar das iniciativas, o cenário permanece instável. Analistas avaliam que a Bolívia atravessa uma crise que já ultrapassa o campo político e econômico, afetando diretamente a população com falta de alimentos, dificuldades no acesso à saúde e crescente preocupação com novos confrontos nas próximas semanas.
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Imagem em destaque: Jorge Bernal / AFP