Advogados dizem que valores recebidos pelo empresário têm origem legal e incluem ressarcimentos familiares e empréstimos; dados vieram à tona após quebra de sigilo na CPMI do INSS
A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que transferências feitas pelo chefe do Executivo ao filho correspondem a adiantamentos de herança e ressarcimentos familiares, além de possíveis empréstimos ligados a atividades empresariais.
A explicação foi apresentada após a divulgação de informações financeiras obtidas por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário no âmbito da CPMI do INSS, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo os documentos analisados pela comissão, Lulinha movimentou cerca de R$ 19,5 milhões entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, com aproximadamente R$ 9,8 milhões em entradas e valor semelhante em saídas.
Os registros também indicam que o empresário recebeu R$ 721 mil em transferências feitas pelo presidente Lula, distribuídas em três operações — a maior delas de R$ 384 mil, realizada em julho de 2022.
Em nota, os advogados afirmaram que as transferências representam “adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente”, além de reembolso de despesas arcadas por Lulinha durante o período em que Lula esteve preso e possíveis empréstimos relacionados à empresa L.I.L.S. Palestras, da qual ele possui participação societária.
A defesa também sustenta que todas as movimentações financeiras são legais, registradas e declaradas ao fisco, e que parte dos recursos tem origem em atividades empresariais e rendimentos de aplicações financeiras, além de herança da ex-primeira-dama Marisa Letícia.
De acordo com os advogados, os valores divulgados não representam renda ou patrimônio líquido do empresário, já que relatórios financeiros incluem diversas operações com o mesmo dinheiro, como transferências entre contas próprias e aplicações financeiras.
A CPMI do INSS segue analisando os dados financeiros e outros documentos relacionados ao caso, enquanto a defesa de Lulinha afirma não haver qualquer ligação entre as movimentações do empresário e as fraudes investigadas pela comissão parlamentar.
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