Impacto está previsto para a madrugada e pode abrir uma cratera de até 30 metros; fenômeno será acompanhado por cientistas e astrônomos
Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve colidir com a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5). O impacto está previsto para ocorrer por volta das 3h35, no horário de Brasília, e será acompanhado por cientistas e observatórios de diferentes partes do mundo.
O objeto é um estágio superior descartado de um Falcon 9 que, em 2025, foi utilizado para lançar as missões Blue Ghost-1, da Firefly Aerospace, e Hakuto-R Resilience, da empresa japonesa ispace, em direção à Lua. Após o cumprimento das missões, o estágio permaneceu em uma trajetória que acabou cruzando o caminho do satélite natural da Terra.
Com aproximadamente quatro toneladas, o fragmento deve atingir uma área próxima à cratera Einstein, localizada no lado visível da Lua. A velocidade estimada no momento da colisão é de 2,43 km/s, equivalente a cerca de 8.750 km/h.
Impacto pode formar cratera de até 30 metros
De acordo com estimativas dos pesquisadores, a colisão deve liberar cerca de 11,8 gigajoules de energia e provocar a formação de uma nova cratera com aproximadamente 20 a 30 metros de diâmetro.
O choque também deverá levantar uma grande quantidade de poeira e detritos da superfície lunar. Dependendo das condições de observação, telescópios instalados na Terra e no espaço poderão registrar o clarão provocado pelo impacto e a nuvem de material lançada para o alto.
O brilho inicial, no entanto, deve ser extremamente rápido, com duração inferior a um segundo, o que torna o registro do momento exato da colisão um desafio para os observadores.
Evento é oportunidade rara para a ciência
Para os pesquisadores, o impacto representa uma oportunidade incomum de acompanhar em tempo real uma colisão artificial na Lua. As observações podem fornecer informações importantes sobre a formação de crateras e o comportamento da poeira lunar após impactos.
Os dados também poderão contribuir para o desenvolvimento de técnicas capazes de identificar futuros impactos na superfície lunar por meio de sinais sísmicos.
Astrônomos amadores também foram incentivados a tentar registrar o fenômeno, desde que tenham equipamentos adequados e boas condições de observação.
Com o crescimento do número de missões destinadas à Lua, os cientistas acreditam que impactos provocados por objetos artificiais podem se tornar cada vez mais frequentes.
Não será o primeiro foguete a atingir a Lua
Apesar de chamar a atenção, o impacto do Falcon 9 não será o primeiro provocado por um foguete na superfície lunar. Estágios do foguete Saturno V, utilizado nas missões Apollo que levaram astronautas à Lua, também foram deliberadamente lançados contra o satélite em algumas missões.
Em março de 2022, outro fragmento de foguete atingiu a Lua e produziu uma cratera dupla, em um evento que chamou a atenção da comunidade científica.
O novo impacto, porém, oferece uma oportunidade diferente: a possibilidade de observar e estudar praticamente em tempo real os efeitos provocados pela colisão de um objeto de grande porte na superfície lunar.
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Imagem em destaque: Juliano Almeida