Especialistas avaliam que impacto nos alimentos pode demorar a chegar ao consumidor.
O agravamento de conflitos internacionais voltou a provocar tensão no mercado global de insumos agrícolas. Nas últimas semanas, os preços dos fertilizantes registraram forte alta impulsionada por incertezas na cadeia de produção e logística, especialmente em regiões que concentram grandes produtores desses produtos.
Países envolvidos ou afetados indiretamente pela guerra estão entre os principais exportadores de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes, como potássio, fósforo e nitrogênio. Com isso, restrições comerciais, sanções e dificuldades no transporte têm pressionado o mercado internacional.
Apesar da disparada nos preços desses insumos, especialistas avaliam que o impacto direto no preço dos alimentos ainda não deve ser imediato. Isso porque muitos produtores rurais já haviam adquirido fertilizantes anteriormente ou possuem contratos de compra firmados com antecedência, o que ajuda a amortecer os efeitos no curto prazo.
Outro fator que contribui para evitar aumentos imediatos nos supermercados é o ciclo de produção agrícola. Em várias culturas, os fertilizantes são aplicados meses antes da colheita, o que faz com que eventuais aumentos de custo só sejam refletidos nas próximas safras.
Ainda assim, analistas alertam que, caso a instabilidade internacional persista por mais tempo, o cenário pode mudar. Com fertilizantes mais caros, os custos de produção tendem a aumentar, o que pode pressionar os preços finais dos alimentos ao consumidor.
No Brasil, que é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e depende significativamente da importação de fertilizantes, o governo e o setor produtivo acompanham a situação com atenção. Medidas para ampliar a produção nacional de insumos e diversificar fornecedores têm sido discutidas como forma de reduzir a dependência externa e garantir maior estabilidade ao setor.
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Imagem em destaque: Fernando Dias/Ascom Seapdr