Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam a Presidência em segundo turno marcado por crise institucional, insegurança e desconfiança dos eleitores
Mais de 27 milhões de peruanos são esperados nas urnas neste domingo para decidir quem comandará o país até 2031. A disputa presidencial coloca frente a frente Keiko Fujimori, candidata de direita, e Roberto Sánchez, representante da esquerda, em uma eleição considerada decisiva para o futuro político do Peru.
O pleito ocorre após uma década de forte instabilidade institucional. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, cenário que contribuiu para o aumento da desconfiança da população em relação à classe política.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias apontam vantagem para Keiko Fujimori, que aparece com 36% das preferências, contra 30% de Roberto Sánchez. A diferença, no entanto, permanece dentro de uma margem que mantém a disputa em aberto.
No primeiro turno, Fujimori foi a candidata mais votada, obtendo 17,18% dos votos válidos. Sánchez terminou em segundo lugar, com 12,03%, garantindo vaga na segunda volta. O resultado refletiu a fragmentação do eleitorado, que teve 35 candidatos à Presidência.
O elevado índice de votos brancos e nulos também chamou atenção. Somados, eles ultrapassaram o total obtido por qualquer candidato individualmente, demonstrando o nível de insatisfação popular com o sistema político peruano.
A campanha eleitoral foi marcada pelo debate sobre segurança pública e criminalidade, apontadas como as principais preocupações da população. Questões ligadas à economia, emprego e estabilidade institucional também dominaram as discussões entre os candidatos.
O cenário político continua influenciado pelos acontecimentos de 2022, quando o então presidente Pedro Castillo foi destituído e preso, desencadeando protestos que resultaram em dezenas de mortes. Desde então, o país enfrenta dificuldades para recuperar a estabilidade política.
A votação será acompanhada por observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, que monitoram o processo eleitoral para garantir transparência e legitimidade ao resultado.
O vencedor assumirá o desafio de reconstruir a confiança nas instituições, enfrentar a insegurança e conduzir o país em um período de profundas divisões políticas e sociais.
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Imagem em destaque: Martin Mejia/AP