Investigação tenta esclarecer se recursos foram destinados a filme ou usados para custear permanência no exterior
A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo investigadores ouvidos pelo blog da jornalista Andreia Sadi, uma das linhas de apuração busca esclarecer se o dinheiro teria sido oficialmente destinado à produção de um filme ou se essa justificativa foi usada apenas para viabilizar a transferência dos valores.
A investigação gira em torno de três pontos principais: se os recursos foram de fato aplicados no projeto audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte do dinheiro acabou sendo usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Nos bastidores, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro nas negociações e qual teria sido a destinação final dos recursos. Ele é pré-candidato à Presidência da República.
A apuração ganhou força após reportagem do Intercept Brasil revelar trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, o senador cobra valores prometidos para financiar o filme Dark Horse, produção internacional sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, com estreia prevista no Brasil em setembro.
O deputado Mário Frias, que atua como produtor executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment afirmaram, em nota, que a cinebiografia não recebeu recursos de Daniel Vorcaro.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontam que a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses de dinheiro ligados a Vorcaro para o projeto. Segundo os registros, a empresa recebeu cerca de R$ 159 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal.
Investigadores avaliam que rastrear o caminho do dinheiro é fundamental para entender o alcance político e financeiro das conexões envolvendo o banqueiro e os demais citados no caso.
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Imagem em destaque: Bruno Spada/Câmara dos Deputados