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Operação Miragem apura suspeitas de manipulação contábil para ocultar a real situação financeira da instituição; prejuízo investigado pode chegar a R$ 670 milhões

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraude contábil no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo os investigadores, o banco teria utilizado mecanismos para inflar artificialmente ativos e criar receitas fictícias, mascarando sua real situação econômico-financeira.

Ao todo, mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo contra 10 empresas e oito pessoas físicas. A decisão judicial também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 18 investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem alcançar R$ 670,3 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, relatórios produzidos pelo Banco Central apontaram indícios de graves irregularidades na gestão da instituição financeira. As investigações indicam que administradores do banco teriam recorrido à manipulação sistemática de balanços e demonstrativos contábeis para esconder dificuldades financeiras e transmitir uma falsa imagem de estabilidade ao mercado e aos órgãos reguladores.

Ainda segundo a PF, a suposta maquiagem contábil permitia supervalorizar ativos e gerar receitas artificiais que alcançariam centenas de milhões de reais. As apurações também identificaram operações financeiras consideradas suspeitas em benefício da empresa controladora do banco e possíveis inserções de informações falsas em sistemas oficiais do Banco Central.

Entre os alvos dos mandados de busca estão executivos e administradores ligados ao Banco Digimais e à ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. O bispo Edir Macedo figura entre os investigados, mas não foi alvo de busca e apreensão. Conforme a representação da Polícia Federal, ele reside atualmente no exterior. Mesmo assim, a Justiça determinou o bloqueio de seus bens e a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), o banco operou durante décadas como Banco Renner. A partir de 2018, iniciou um processo de transformação digital e, em 2020, passou a atuar sob a marca Digimais, ano em que Edir Macedo assumiu o controle integral da instituição. Atualmente, o banco tem forte presença no segmento de crédito e financiamento de veículos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação do Sistema Financeiro Nacional.

Até a publicação desta reportagem, nem Edir Macedo, nem o Banco Digimais, a ID Corretora ou os demais investigados haviam se manifestado sobre as acusações. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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Imagem em destaque: Reprodução/ IA

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