Estudos apontam que municípios com forte dependência das exportações para os Estados Unidos podem sofrer impactos na geração de empregos, renda e atividade econômica
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta em diversas regiões do país. Embora a medida afete empresas exportadoras em todo o território nacional, estudos de federações da indústria e do comércio mostram que alguns municípios devem sentir os efeitos com maior intensidade por dependerem fortemente do mercado norte-americano.
No Rio de Janeiro, um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que 48 municípios podem ser impactados pelas novas tarifas. Segundo a entidade, essas cidades possuem empresas que exportam regularmente para os Estados Unidos e podem enfrentar queda nas receitas, aumento dos custos operacionais e redução das exportações. A preocupação também se estende ao mercado de trabalho, já que parte das empresas consultadas teme reduzir postos de emprego caso o cenário se prolongue.
Já no Rio Grande do Sul, um estudo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisas (IFEP) identificou os municípios com maior dependência econômica das exportações para os EUA. Entre os mais vulneráveis estão:
- Santa Cruz do Sul;
- Montenegro;
- Novo Hamburgo;
- São Leopoldo;
- Bento Gonçalves;
- Nova Prata;
- Guaporé;
- Lajeado.
De acordo com a pesquisa, Santa Cruz do Sul aparece como a cidade mais exposta devido à forte participação das exportações de tabaco em sua economia. Caso as tarifas permaneçam, especialistas avaliam que a redução das vendas externas poderá afetar não apenas a indústria, mas também o comércio, os serviços e o consumo das famílias.
Especialistas destacam que outros polos industriais e agroexportadores do país também acompanham a situação com preocupação. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina possuem municípios altamente integrados ao comércio com os Estados Unidos e podem registrar impactos em cadeias produtivas como siderurgia, metalurgia, máquinas, calçados, papel e celulose, móveis, alimentos e agronegócio.
Apesar da ampliação da lista de produtos isentos anunciada pelo governo norte-americano, milhares de itens brasileiros continuam sujeitos às novas tarifas. A expectativa é que governos estaduais e o setor produtivo intensifiquem as negociações para reduzir os prejuízos às empresas e preservar empregos nas regiões mais dependentes das exportações.
….
Imagem em destaque: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo