Premiê diz que dimensão estratégica da região só foi compreendida durante o conflito com o Irã e sinaliza continuidade das operações
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país não previu inicialmente a importância estratégica do Estreito de Ormuz no contexto da guerra contra o Irã. Em entrevista à emissora americana CBS, exibida no programa “60 Minutes”, ele declarou que o impacto da região foi sendo compreendido ao longo dos combates.
A entrevista, exibida neste domingo (10), marca a primeira participação de Netanyahu na televisão dos Estados Unidos desde o início do conflito, que já dura 11 semanas. Segundo ele, a guerra ainda não terminou e Israel avalia a necessidade de novas ações contra o programa nuclear iraniano, incluindo instalações de enriquecimento de urânio e grupos aliados de Teerã.
Ao comentar uma reportagem do The New York Times, que apontava uma possível subestimação da capacidade iraniana de bloquear o Estreito de Ormuz, Netanyahu reconheceu limitações nas análises iniciais. “Não afirmo ter previsão perfeita, e ninguém tinha”, disse.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás, e qualquer ameaça à sua operação gera impacto direto nos mercados internacionais de energia. A escalada militar na região elevou tensões no Golfo e aumentou o temor de interrupções no fluxo de combustíveis.
Durante a entrevista, Netanyahu afirmou que Israel e os Estados Unidos seguem avaliando formas de neutralizar o programa nuclear do Irã. Questionado sobre a possibilidade de remoção de urânio enriquecido do território iraniano, respondeu de forma direta: “Você entra e tira”, sem detalhar como uma eventual operação seria conduzida.
O premiê também indicou que o conflito pode se estender a outras frentes, mesmo diante de um possível acordo entre Washington e Teerã. Segundo ele, Israel pretende continuar combatendo o Hezbollah no Líbano.
Netanyahu afirmou ainda que o Irã tenta condicionar um cessar-fogo no Golfo ao fim das operações israelenses contra o grupo libanês. Ele avalia que um eventual enfraquecimento do regime iraniano poderia impactar aliados regionais como o Hamas e os Houthis.
A entrevista também abordou relações diplomáticas na região. Segundo o premiê, países árabes passaram a demonstrar maior interesse em ampliar parcerias com Israel após o conflito, especialmente em áreas como energia, tecnologia e inteligência artificial.
Por fim, Netanyahu acusou a China de fornecer componentes para mísseis iranianos, mas não apresentou provas nem detalhou os supostos envios.
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Imagem em destaque: Ilia YEFIMOVICH / POOL / AFP