Médico invocou a Quinta Emenda durante audiência no Senado e não respondeu a mais de cem questionamentos sobre pesquisas na China e a origem do coronavírus
Mais de seis anos após o início da pandemia de Covid-19, a origem do coronavírus voltou ao centro do debate político nos Estados Unidos. O assunto foi retomado durante uma audiência convocada por um comitê liderado por republicanos para discutir a condução da crise sanitária e as diferentes hipóteses sobre o surgimento do vírus.
Na audiência, realizada na última quarta-feira (29), o médico e imunologista Anthony Fauci, que se tornou um dos principais rostos da resposta dos Estados Unidos à pandemia, foi questionado por parlamentares republicanos sobre decisões tomadas durante a crise, o financiamento de pesquisas com coronavírus na China e a possibilidade de o vírus ter escapado de um laboratório em Wuhan.
Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos e se recusou a responder a mais de cem perguntas feitas pelos parlamentares.
Durante a sessão, o senador republicano Rand Paul também divulgou mais de mil páginas de um diário mantido por Fauci durante vários anos, incluindo o período da pandemia. Segundo o parlamentar, os relatos registrados em privado apresentariam diferenças em relação às declarações públicas feitas pelo médico durante a crise sanitária.
Paul voltou a defender a hipótese de que pesquisas com coronavírus financiadas na China poderiam ter relação com o surgimento da pandemia e acusou Fauci de ter contribuído para esconder a possibilidade de um vazamento de laboratório.
Origem do vírus continua sem consenso
A possibilidade de o coronavírus ter surgido após um acidente em laboratório de Wuhan é uma das principais hipóteses investigadas nos Estados Unidos. Relatórios de órgãos do governo americano já apontaram diferentes níveis de confiança nessa possibilidade.
No entanto, a origem do SARS-CoV-2 continua sem uma conclusão definitiva. A comunidade científica não chegou a um consenso sobre como o vírus passou a infectar seres humanos, e diferentes estudos e avaliações de inteligência apontam para possibilidades distintas.
A nova audiência reacende, portanto, uma discussão que permanece aberta desde os primeiros meses da pandemia e que envolve questões científicas, políticas e relacionadas à transparência sobre pesquisas com vírus e agentes potencialmente perigosos.
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Imagem em destaque:Al Drago/Pool via Reuters