Medidas contra a “cera” começam a valer imediatamente e estabelecem limites de tempo para goleiros, laterais, tiros de meta, substituições e atendimento médico
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B aprovaram, nesta segunda-feira (10), um pacote com 10 novas regras de arbitragem para o futebol brasileiro. As mudanças foram inspiradas nas regras utilizadas pela FIFA na Copa do Mundo de 2026 e têm como principal objetivo aumentar o tempo de bola rolando e combater o antijogo.
As medidas passam a ser adotadas de forma imediata nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além da Copa do Brasil masculina e feminina e do Campeonato Brasileiro Feminino A1. Nas Séries A e B, a aplicação começa já no próximo fim de semana.
Segundo estimativa apresentada pela CBF, as mudanças podem representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida.
Veja as novas regras
1. Goleiro terá oito segundos com a bola nas mãos
O goleiro deverá colocar a bola em jogo em até oito segundos. Caso ultrapasse o limite, o adversário ganhará um escanteio.
2. Cinco segundos para cobrar lateral
O jogador terá até cinco segundos para executar o arremesso lateral a partir do momento em que estiver com a bola nas mãos.
3. Cinco segundos para o tiro de meta
Também haverá limite de cinco segundos para a cobrança do tiro de meta. O descumprimento resultará em escanteio para o adversário.
4. Jogador substituído terá 10 segundos para sair
O atleta que for substituído deverá deixar o campo pelo ponto mais próximo, sem prolongar a saída. O prazo será de 10 segundos.
5. Jogador atendido ficará um minuto fora
Quando um atleta receber atendimento médico dentro do campo, ele deverá permanecer fora da partida durante um minuto antes de retornar.
6. Atendimento ao goleiro também poderá deixar um jogador fora
Se o goleiro precisar de atendimento, um jogador de linha da equipe ficará fora durante um minuto. A indicação será feita pelo treinador ou capitão.
7. Apenas o capitão poderá falar com o árbitro
A regra estabelece o princípio de que apenas um jogador de cada equipe, normalmente o capitão, será o interlocutor com a arbitragem durante a partida.
8. Cobrir a boca em discussões poderá render expulsão
A medida, que ficou conhecida como “Protocolo Vini Jr.”, prevê cartão vermelho quando um jogador cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário.
9. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo
O árbitro de vídeo poderá revisar uma decisão relacionada ao segundo cartão amarelo quando ele resultar em expulsão.
10. VAR poderá revisar escanteio concedido por engano
Essa mudança, porém, está prevista para entrar em vigor a partir de 2027. O VAR poderá revisar um escanteio concedido de maneira equivocada quando a jogada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Objetivo é aumentar o tempo de jogo
A CBF apresentou aos clubes dados sobre o tempo efetivo de bola rolando no futebol brasileiro. A entidade apontou que os jogos da Série A registraram, em média, cerca de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo, abaixo dos 60 minutos considerados como referência pela FIFA.
A expectativa é que a aplicação das novas regras reduza as paralisações e torne as partidas mais dinâmicas.
As mudanças fazem parte de um processo mais amplo de revisão do futebol brasileiro. A CBF também iniciou, em conjunto com os clubes, a construção do regulamento das Séries A e B para a temporada de 2027, com discussões sobre arbitragem, organização das competições, licenciamento, infraestrutura, realização das partidas, governança e integridade.
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Imagem em destaque:Lucas Figueiredo/CBF