Instituição revisou para baixo as perspectivas da economia brasileira e global, citando impactos da guerra no Oriente Médio, alta do petróleo e riscos inflacionários
O Banco Mundial reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira para 1,9% em 2026, segundo o relatório semestral “Perspectivas Econômicas Globais”, divulgado nesta quinta-feira (11). A nova estimativa representa uma queda de 0,1 ponto percentual em relação à previsão divulgada em janeiro.
Para os anos seguintes, a instituição também revisou suas expectativas. A projeção para 2027 passou de 2,3% para 2%, enquanto a estimativa para 2028 foi fixada em 2,2%.
O relatório aponta que a deterioração do cenário internacional, impulsionada principalmente pela guerra no Oriente Médio, tem afetado o ritmo de crescimento das economias ao redor do mundo. O conflito elevou os preços da energia, aumentou as pressões inflacionárias e reforçou a perspectiva de manutenção de políticas monetárias mais restritivas em diversos países.
No caso da economia global, o Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento para 2026 de 2,6% para 2,5%. Segundo a instituição, trata-se da menor taxa registrada desde o período imediatamente posterior ao início da pandemia de Covid-19, no fim de 2019.
O documento destaca que o fechamento do Estreito de Ormuz provocou forte impacto sobre o mercado internacional de energia, impulsionando os preços do petróleo e elevando os custos de produção em diversos setores. O aumento no valor dos fertilizantes também gerou preocupação quanto ao abastecimento global de alimentos.
Segundo o Banco Mundial, o cenário-base considera um preço médio do barril do petróleo Brent em US$ 94 ao longo deste ano, o que representa uma alta de 36% em comparação com 2025. Nesse contexto, a inflação global deve atingir cerca de 4%.
A instituição, no entanto, alerta para cenários mais pessimistas. Caso as interrupções no fornecimento de energia se prolonguem e o petróleo alcance uma média de US$ 115 por barril, o crescimento mundial poderá desacelerar para 2,1%, enquanto a inflação global subiria para 4,4%.
Em uma hipótese ainda mais adversa, na qual o choque energético provoque turbulências nos mercados financeiros, reduza a confiança dos investidores e aumente a volatilidade econômica, a expansão global poderia cair para apenas 1,3%.
O relatório também revisou para baixo as perspectivas de crescimento de cerca de dois terços das economias avaliadas. Entre os países mais afetados pelos cortes estão os Emirados Árabes Unidos, o Iraque e outras nações do Oriente Médio dependentes das exportações de energia.
Para o Brasil, a revisão reforça os desafios para sustentar o crescimento econômico em um ambiente internacional mais incerto, marcado por inflação persistente, custos elevados de energia e possíveis restrições na política de juros ao redor do mundo.
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