Iván Cepeda e Abelardo de La Espriella disputam segundo turno em eleição marcada por polarização política, violência e influência geopolítica dos EUA
Os colombianos vão às urnas neste domingo (21) para definir quem será o presidente do país entre 2026 e 2030. O segundo turno da eleição coloca frente a frente o senador de esquerda Iván Cepeda e o advogado Abelardo de La Espriella, representante da extrema-direita.
A disputa ocorre após um primeiro turno acirrado, em 31 de maio, no qual De La Espriella terminou na frente com cerca de 43,7% dos votos, enquanto Cepeda obteve aproximadamente 40,9%, diferença de pouco mais de 670 mil votos.
O pleito mobiliza mais de 41 milhões de eleitores em um país onde o voto não é obrigatório e a participação no primeiro turno foi de cerca de 57%.
Disputa ideológica marca eleição
Iván Cepeda, senador no terceiro mandato e defensor histórico de pautas ligadas aos direitos humanos, representa a continuidade do projeto do presidente Gustavo Petro e do Pacto Histórico. Sua campanha defende a ampliação de políticas sociais, manutenção de reformas econômicas e continuidade das negociações de paz com grupos armados.
Já Abelardo de La Espriella, advogado e empresário, se apresenta como outsider da política e defende uma agenda de linha dura na segurança pública, maior aproximação com os Estados Unidos e alinhamento com governos de direita na América Latina, como o de Javier Milei na Argentina. O candidato recebeu apoio público do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Violência e economia no centro do debate
A eleição ocorre em meio a desafios persistentes na Colômbia, como conflitos armados internos, narcotráfico e episódios recorrentes de violência política. Ao mesmo tempo, o país registra indicadores econômicos relativamente positivos, como crescimento e reformas recentes nas áreas trabalhista e previdenciária.
Especialistas apontam que o resultado pode influenciar diretamente a posição da Colômbia na geopolítica regional, especialmente em relação ao alinhamento com os Estados Unidos e às alianças latino-americanas.
Segundo o professor Sebastián Granda Henao, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a vitória de De La Espriella tende a fortalecer a influência de Washington na região, enquanto uma vitória de Cepeda manteria uma articulação mais próxima entre governos progressistas da América Latina.
Expectativa de resultado apertado
Pesquisas recentes indicam um cenário de empate técnico, com leve vantagem alternada entre os candidatos, reforçando a expectativa de uma eleição disputada voto a voto.
O resultado será conhecido após o fechamento das urnas neste domingo e pode redefinir o equilíbrio político na América do Sul nos próximos anos.
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Imagem em destaque: Divulgação/Freepik