Presidente do Conselho Deliberativo venceu votação por margem apertada e afirmou que resultado confirma a improcedência das acusações de gestão temerária
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Júnior, permanecerá no cargo após o Conselho rejeitar, por 120 votos a 118, a proposta de seu afastamento. A votação, realizada nesta terça-feira (2), representou uma derrota política para o presidente do clube, Harry Massis Júnior, autor do pedido que questionava a condução da reforma estatutária da instituição.
Olten era acusado pela atual gestão de praticar gestão temerária durante o processo de discussão das mudanças no Estatuto do clube. A denúncia foi analisada pela Comissão de Ética, que recomendou sua suspensão. O caso chegou a ter votação marcada para maio, mas o encontro foi adiado antes de ser retomado e concluído nesta semana.
Após o resultado, Olten divulgou nota oficial na qual afirmou receber a decisão “com serenidade, respeito e senso de responsabilidade institucional”. Segundo ele, a votação reconheceu a improcedência das acusações apresentadas no processo disciplinar.
“A decisão confirma o que sustentei desde o início: não houve ato irregular, desvio de finalidade, gestão temerária, obtenção de benefício pessoal ou qualquer conduta praticada em prejuízo do São Paulo Futebol Clube”, declarou.
O dirigente também argumentou que sua atuação ocorreu dentro das atribuições previstas para a presidência do Conselho Deliberativo, respeitando o Estatuto Social e os procedimentos internos da instituição.
Na manifestação, Olten ressaltou que o resultado transcende sua situação pessoal e representa a preservação das garantias estatutárias e da independência do Conselho Deliberativo. Para ele, nenhum conselheiro deve ser submetido a medidas excepcionais sem fundamento consistente, observância dos ritos adequados e pleno direito de defesa.
O processo teve momentos de forte tensão política nos bastidores do clube. Inicialmente, Harry Massis protocolou um pedido de expulsão de Olten do quadro associativo. A solicitação foi encaminhada à Comissão de Ética, que emitiu parecer favorável apenas à suspensão. Posteriormente, Olten se licenciou temporariamente da presidência do Conselho para não conduzir a sessão que julgaria seu caso.
Em outro episódio que gerou controvérsia, o dirigente promoveu mudanças na composição da Comissão de Ética após o parecer que recomendava sua suspensão. À época, negou qualquer motivação de retaliação.
Apesar do embate institucional, Olten afirmou que não pretende transformar a decisão em instrumento de confronto. Na nota, agradeceu aos conselheiros que participaram da votação e defendeu a recomposição interna do clube.
“O momento exige recomposição institucional, pacificação e retomada do trabalho pelo São Paulo Futebol Clube”, afirmou.
Olten concluiu reafirmando seu compromisso com a modernização e a transparência da gestão são-paulina, destacando que continuará exercendo suas funções como conselheiro vitalício e presidente do Conselho Deliberativo em defesa dos interesses do clube.
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Imagem em destaque:Werther Santana/Estadão