Suplemento conhecido por auxiliar no desempenho físico está sendo estudado como possível complemento aos tratamentos convencionais; especialistas alertam que evidências ainda não são suficientes para recomendá-lo como terapia isolada
A creatina, um dos suplementos mais conhecidos entre praticantes de atividade física, vem despertando o interesse da ciência por um possível efeito também sobre a saúde mental. Estudos recentes investigam se a substância pode ajudar a reduzir sintomas de depressão quando utilizada como complemento aos tratamentos convencionais.
A hipótese surgiu porque a creatina participa do sistema de produção e armazenamento de energia das células, inclusive no cérebro. Pesquisadores investigam se melhorar a disponibilidade de energia cerebral poderia contribuir para o funcionamento de circuitos relacionados ao humor.
Resultados ainda são divididos
Uma revisão recente analisou cinco estudos clínicos randomizados, envolvendo 238 participantes, e encontrou resultados diferentes entre as pesquisas. Dois estudos observaram melhora dos sintomas quando a creatina foi adicionada ao tratamento convencional, enquanto outros três não encontraram benefícios significativos.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no British Journal of Nutrition também apontou que a creatina pode produzir uma redução pequena a moderada nos sintomas depressivos. No entanto, os pesquisadores destacaram que a evidência disponível é muito incerta e que o efeito real pode ser pequeno ou até inexistente.
Pode ser complemento, não substituto
Em alguns estudos, a creatina foi utilizada junto a medicamentos antidepressivos ou à terapia cognitivo-comportamental. Um ensaio clínico publicado em 2025, por exemplo, avaliou a suplementação associada à terapia cognitivo-comportamental e encontrou resultados considerados promissores, mas os próprios pesquisadores defenderam a realização de estudos maiores e mais longos.
Por isso, a creatina não deve ser considerada substituta de antidepressivos, psicoterapia ou acompanhamento médico. A utilização com finalidade terapêutica para depressão ainda está no campo da pesquisa.
Por que a descoberta chama atenção?
A creatina já é amplamente utilizada para melhorar o desempenho durante exercícios físicos e auxiliar no ganho de força e massa muscular. A possibilidade de também atuar sobre mecanismos relacionados à energia cerebral abriu uma nova linha de investigação.
Os pesquisadores agora buscam entender quais pacientes poderiam se beneficiar mais, qual seria a dose adequada e se os efeitos permanecem no longo prazo.
A expectativa é que novos estudos possam esclarecer o potencial da creatina no tratamento da depressão. Por enquanto, os resultados são considerados promissores, mas insuficientes para transformar o suplemento em um tratamento padrão para a doença.
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Imagem em destaque: Djavan Rodriguez/ Getty Images