Candidato da direita liderou o primeiro turno com 43,7% dos votos, enquanto o senador de esquerda alcançou 40,9%; segurança pública domina o debate eleitoral e decisão ficará para 21 de junho
A eleição presidencial da Colômbia será decidida em segundo turno no próximo dia 21 de junho. Com 99,92% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou o primeiro turno na liderança, com 43,7% dos votos, seguido pelo senador e filósofo Ivan Cepeda, representante da esquerda, que obteve 40,9%.
Os dois candidatos já apareciam entre os favoritos durante a campanha e agora protagonizarão uma disputa polarizada pelo comando do país. Logo após a divulgação dos primeiros resultados, o presidente Gustavo Petro afirmou nas redes sociais que não aceitava a contagem inicial dos votos, aumentando a tensão política em torno do processo eleitoral.
Aos 47 anos, Abelardo de la Espriella lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria e ganhou força na reta final da campanha com um discurso de combate firme à violência e às guerrilhas. Admirador de líderes como Donald Trump e Nayib Bukele, o advogado defende uma ofensiva militar contra grupos armados e critica a estratégia de diálogo adotada por governos anteriores.
Durante a campanha, De la Espriella enfrentou episódios de violência. Dois integrantes de sua equipe foram mortos a tiros em 15 de maio, e o candidato chegou a denunciar a existência de um suposto plano para assassiná-lo. Entre suas propostas mais polêmicas está a retirada da Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, instituições que ele acusa de promover agendas de esquerda.
Além da atuação política, o candidato mantém uma plataforma comercial onde vende livros, bebidas alcoólicas, músicas e produtos de vestuário ligados à sua imagem. Sua trajetória também foi marcada por controvérsias, incluindo declarações consideradas extravagantes em entrevistas e questionamentos sobre sua antiga relação profissional com o empresário Alex Saab, acusado pelos Estados Unidos de atuar como operador financeiro do governo venezuelano de Nicolás Maduro.
Do outro lado da disputa está Ivan Cepeda, de 63 anos, integrante do partido Pacto Histórico e aliado do presidente Gustavo Petro. O senador se tornou uma das figuras mais conhecidas da esquerda colombiana por sua participação nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo firmado em 2016 para encerrar décadas de conflito armado.
Cepeda defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo, incluindo medidas de valorização do salário mínimo, reforma agrária e redução de benefícios para parlamentares. Sua principal aposta para enfrentar a violência é a ampliação do diálogo com grupos armados e a busca por soluções negociadas para os conflitos que ainda persistem no país.
O senador também esteve no centro de uma longa disputa judicial envolvendo o ex-presidente Álvaro Uribe. Após anos de investigações e processos, a Justiça colombiana concluiu que Cepeda atuou dentro de suas atribuições parlamentares, embora, posteriormente, o Tribunal Superior de Bogotá tenha absolvido Uribe das acusações de suborno e fraude processual.
A segurança pública aparece como o principal tema da campanha. Pesquisa divulgada pelo instituto Invamer mostrou que 40% dos colombianos apontam a violência e a criminalidade como o maior problema nacional. Em comparação, desemprego e economia foram mencionados por apenas 11% dos entrevistados.
Nesse cenário, o discurso de endurecimento contra grupos armados impulsionou a candidatura de De la Espriella. Já Cepeda aposta na defesa das políticas sociais e na continuidade do projeto político iniciado por Petro. A decisão agora ficará nas mãos do eleitorado colombiano, que voltará às urnas em 21 de junho para escolher o próximo presidente do país.
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Imagem em destaque: Reurters