Estudo aponta que o AMD3100 ajuda o sistema imunológico a combater o carcinoma fibrolamelar, tipo agressivo da doença que afeta principalmente jovens
Uma nova esperança para pacientes com um tipo raro e agressivo de câncer de fígado surgiu após a aprovação, pela agência reguladora de saúde dos Estados Unidos (FDA), de um medicamento capaz de atuar contra o carcinoma fibrolamelar.
O remédio, conhecido como AMD3100, já era utilizado para outra condição médica, mas um estudo publicado em abril deste ano na revista científica Gastroenterology demonstrou que ele pode fortalecer a resposta do sistema imunológico, permitindo que as células de defesa encontrem e destruam as células cancerígenas.
O carcinoma fibrolamelar representa cerca de 2% dos casos de câncer de fígado e costuma atingir crianças, adolescentes e adultos jovens. A doença geralmente é diagnosticada em estágios avançados, quando já houve disseminação para outras partes do corpo, reduzindo significativamente as opções de tratamento.
Os pesquisadores descobriram que a imunoterapia convencional apresenta baixa eficácia nesse tipo de câncer por causa de um fenômeno conhecido como “exclusão de células T”. Essas células, responsáveis por atacar tumores, não conseguem alcançar as células cancerígenas devido a alterações provocadas pelo próprio microambiente do tumor.
Para compreender esse mecanismo, os cientistas utilizaram uma técnica avançada chamada transcriptômica de núcleo único, que permite analisar em detalhes as células presentes no tecido tumoral.
A pesquisa revelou que células estreladas do fígado, modificadas pelo câncer, produzem espessas faixas de tecido fibroso ao redor do tumor. Essas estruturas desviam as células T do seu verdadeiro alvo, fazendo com que elas ataquem o tecido fibroso em vez das células cancerígenas.
Segundo os pesquisadores, o AMD3100 consegue modificar esse ambiente tumoral, facilitando a entrada das células de defesa no interior do tumor e aumentando a eficácia da resposta imunológica.
A aprovação do medicamento representa um avanço importante para pacientes com carcinoma fibrolamelar, doença que ainda não possui cura e conta com opções terapêuticas bastante limitadas. Especialistas avaliam que a descoberta pode abrir caminho para novas estratégias de tratamento não apenas para esse tipo raro de câncer, mas também para outros tumores que utilizam mecanismos semelhantes para escapar da ação do sistema imunológico.
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Imagem em destaque: Mohammed Haneefa Nizamudeen